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Tag Archives: Atitude

É impressionante como doses homeopáticas de honestidade liberam criatividade na minha corrente sanguínea.

Pensando, hoje no ônibus, enquanto voltava pra casa, comecei uma reflexão que quero tentar reproduzir aqui.

Conversei com a minha namorada hoje sobre o que aconteceria se a gente terminasse, ouvi a frase: “Acho que você não namoraria uma evangélica”. Sabia exatamente o que ela queria dizer. De maneira nenhuma ela se referia à crença da pessoa em questão, mas à atitude. Concordo com ela.

Vou rebobinar, pois esse pensamento pertence ao meio do raciocínio.

Vou tornar minha namorada o centro deste post, mas só pra mérito de comparação. Não vou falar de amor, de certeza, elogiar ou falar de certo e errado. Com certeza errei muito e acertei muito no meu relacionamento. Com certeza errei muito mais do que acertei, afinal, quando é que a gente acerta mais que erra? Mas não vem ao caso.

Quando eu conheci minha namorada, ela era “aspirante a budista”. A gente começou a namorar e conversar sobre religião. Não foi algo forçado, pelo menos espero que não. Gosto de pensar que ela percebeu o quanto isso importava pra mim e quis saber mais. Indo comigo pra cidade onde moram meus pais, ela começou a ir comigo à igreja. Depois de algum tempo, foi num show do Hillsong United e lá ela entregou seu coração pra Jesus. Tão infantil falar desse jeito, mas é.

Quando eu pensei nesse último fato, aí voltei naquele pensamento inicial. A gente conversa constantemente sobre Deus e afins. Não é difícil entender porque ela disse que eu não namoraria “uma evangélica”. Desde que, depois de algum contato com a igreja e com outros cristãos, ela começou a se interessar por tudo isso, ela tem lido a Bíblia e orado todo dia. A constância dela é maior que a minha ou a de muita gente que eu conheço.

Não quero acusar ninguém. Mas ela mesma completou a frase. “Ou teria que ser alguém muito ‘tr00′”. Me entristece saber que não é tão fácil encontrar, hoje em dia, alguém que, além de compartilhar a fé, leve isso de verdade.

Sempre digo isso: não sou ninguém. Julgar não faz meu plano de vida. Mas alguém que viveu tanto depois sob olhares julgadores e que já julgou muito, consegue constatar algumas coisas. Como pode, alguém que nunca viveu sob a nossa “verdade”, saber aplicar melhor do que nós, que vivemos há tanto tempo?

Minha namorada não se converteu “totalmente”. Uso as aspas porque é difícil dizer isso sem usar um pouco de ambiguidade. Admiro muito ela por ela não ser uma “engolidora”. O que não desce, ela não aceita. Simples assim. Ela faz exatamente do jeito que eu acho certo. Porque temos que aceitar uma coisa só porque alguém disse que é certo?

Não estou discutindo certo ou errado. Estou falando que, o povo que mais devia ser aberto pro mundo, se fecha em um mundinho de regras pré-definidas, por puro conforto.

Novamente, minha namorada deu o tom. Esses dias ela virou pra mim e disse; “Sabe qual é o termo que eu mais detesto de todos os jargões de vocês (evangélicos)? Essa história de ‘do mundo'”. Tá na hora de entender que nós fazemos parte do mundo. Tá na hora de saber que 80% do que a gente fala na igreja sobre “o mundo”, “os incrédulos”, etc. está ERRADO porque a gente nunca saiu pra ver como era.

Me entristece muito ter que bancar o dissimulado com os meus amigos. Ter que fingir que não percebo a reação deles toda vez que anuncio um ação fora do “politicamente correto”. E eu tenho que anunciar. Depois de 23 anos de igreja, sei muito bem que tenho duas escolhas: Ou conto TUDO que faço pra todo mundo ou serei crucificado pela primeira coisa que descobrirem.

Há algum tempo já decidi e não volto atrás. Não deixo mais de viver por causa de um monte de regras criadas pra facilitar uma doutrinação preguiçosa. Um livro tem aberto muito meus olhos ultimamente. Chama-se O Evangelho Maltrapilho, de Brennan Manning. Ele fala de o quanto nós esquecemos que Deus é um Deus de amor, de tanto que nos concentramos no Deus de justiça e “punição” que ele também é. Vivemos em medo, não em temor.

Volte a primeira frase do post antes de ler a próxima frase.

Hoje escrevi uma música. Ela dizia: “Só os imperdoáveis tem direito à gratidão”. Só quem não tem mais o que perder podem ganhar tudo de volta pela misericórdia de Deus. Enquanto não deixarmos nossos casulos de pseudorretidão e aceitarmos nossa posição como pó, a misericórdia que se renova a cada dia, como a Bíblia diz, não nos atinge.

Sim, é duro. Mas quem foi que disse que era fácil? Maldito é você e sou eu que queremos sempre nivelar por baixo.

Now Playing: Lower Definition – The Ventriloquist