Skip navigation

Category Archives: Dégradé

Se for preto, não é branco. Se for branco, não é preto. Se for cinza, qualquer tom, não é nem branco, nem preto, mas pode ser os dois ao mesmo tempo. Pouco importa. Cores não existem mesmo.

Sobre a dinâmica das redes sociais, mais precisamente das redes sociais de relacionamento, sejam esses voltados mais para relacionamentos reais ou mais pra putaria, eu andei pensando:

Primeiro, como é estranha nossa dinâmica amorosa. Eu atualmente uso o Tinder e o Adote um Cara. Não uso porque eu realmente ache que vá achar amor ou porque eu esteja realmente procurando um casinho. Entrei pra me divertir, fiz contatos legais e decidi ficar. Pra mim, ainda tem a vantagem de, como sou tímido e desajeitado pra contatos iniciais, eles servem como um ambiente menos agressivo e imediato que o contato face a face. Facilita. Ainda assim, espanta como os pressupostos mais básicos são ignorados ao ponto de causarem dor e raiva quando relembrados. Pensa só: você entra nesses negócios e sai curtindo (cada um tem seu nome, mas a ação é sempre quase a mesma) um monte de gente. Algumas dão certo, outras não. É seguro dizer que a pessoa média não vai conversar com uma pessoa só. Você conversa com várias. Então diga que você conversa com três meninas no Tinder e três no Adote um Cara. Não está apaixonado por ninguém e não existe nem essa pretensão ainda. As seis, você está “conhecendo”. Mas são seis pessoas diferentes que você está conversando em redes sociais cuja a premissa é a interação amorosa e/ou sexual. E vai saber o que essas pessoas estão pensando, vai saber como elas te veem! Há chances reais de que mais de uma esteja vislumbrando ao menos te encontrar e talvez até ficar contigo. Algumas podem, inclusive, estar pensando em talvez algo mais (Pode ser também que nenhuma delas esteja pensando em nada, não excluo a possibilidade, ela só não serve pra reflexão). Há um potencial caótico delas descobrirem umas sobre as outras e se magoarem (ou não). Ao mesmo tempo, eu duvido muito que elas não estejam falando com outros caras. A roleta gira pros dois lados. Mas aí você entra no mesmo vórtice: você não sabe a quantas andam as conversas delas com esses prováveis “candidatos” e você pode ser “abandonado” a qualquer momento, independentemente de como você se sinta a respeito da menina. E se ela decidir que gosta mais de um do que dos outros e decide focar só nele, dá pra culpar ela? Ou se ela decidir ficar com mais de um, ou mesmo com todos ao mesmo tempo, num contrato social de “no strings attached”, dá pra culpar ela? Ou dá pra te culpar, se você fizer o mesmo? A proposta só seguiu seu curso, só cumpriu seu objetivo. Mesmo assim, nós solenemente ignoramos as probabilidades pela ignorância da reflexão incompleta. Não lemos as letras pequenas implícitas no fato social e somos surpreendidos pelo óbvio. Não duvido que seja o que mais acontece. Na verdade, acho que é a segunda coisa que mais acontece. A primeira seria você se ligar em alguém e completamente abandonar todas as outras pra trás, “talvez para sempre” (Veja, 2013). Você não se importa com o que aquelas pessoas abandonadas vão sentir. Não importa porque não faz parte do contrato. O outro não faz parte do contrato. Só você faz. E esse é outro pressuposto que nós solenemente ignoramos. Tá lá, nas entrelinhas da lógica, mas a gente não vê.

De novo, eu não sou contra essas paradas. Eu uso e acho divertidíssimo. Como sempre tento fazer, to lá pelo rolê. Quem sabe não rolam amizades? É possível, eu não excluo. Não é provável, então não espero ser amigo de ninguém. Mas é um tanto irônico que, para o relacionamento que teria que ser mais íntimo e solidário (no sentido de se pensar no outro) “talvez de todos” (Veja, algum dia no futuro?), nós buscamos os meios mais egoístas e impessoais (parece sinônimo, mas não é) de obtê-lo. E eu não sou ingênuo de achar que seja assim só online. Chamar um desconhecido pra sair, como era há 10, 15 anos, ou mesmo pegar alguém na balada é uma modalidade diferente do mesmo fato social. São contratos com letras miúdas que nós só lemos depois que entramos pelo cano. E aí o outro é culpado de não saber que você, lá no fundo e sem nunca dizer, pensava ou deixava de pensar, sentia ou deixava de sentir. Parece que não ler contratos é uma prática aparentemente recorrente e irrestrita da vida.

You can sing me to sleep
You can sing me to wake
You can fill my life of sound
You can sing my soul around
That that’ll be okay

You can do whatever you want
And it’ll be fine
If you want, you can sing the death of me
But please hear me out
Listen to me
Here, take my heart
And sing me to life

You can draw me in red
You can draw me in gray
You can draw me in blue
And it’ll all be true
‘Cause I’m all drawn your way

You can do whatever you want
And it’ll be fine
If you want, you can erase me
Or tear all the painting apart
But listen to me
Here, take my heart
And sing me to life

Uma coisa tem martelado na minha cabeça.

“E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?” – Gênesis 3:9

Quando Adão e Eva pecaram no Éden, a primeira coisa que fizeram foi se esconder. Primeiro, se esconderam um do outro. “Cobriram as vergonhas”. Acho particularmente interessante quando textos mais antigos falam de nudez como vergonha (apesar de nesse texto não falar, mas acho que acrescenta). A nudez não é vergonha por ser errada. A nudez é vergonha exatamente por expor todas as vulnerabildiades. Depois, esconderam-se entre as árvores do jardim.

Aí Deus pergunta: “Onde estás?”

Ué, Deus não é o oniciente? Acha que Deus não sabia onde Adão estava? Sabia, mas de que adiantaria expor Adão? Se Adão não reconhece a própria condição, o que vai adiantar acusá-lo? Mas, se Adão sai do “esconderijo”, tudo muda de figura.

Há algum tempo, eu assisti uma pregação do Sandro Baggio, da Projeto 242, e ele disse, super bem embasado (apesar de eu não lembrar de quem ele citou), que, na verdade, não era o homem que buscava Deus, mas era Deus que buscava o homem. Isso fez completo sentido pra mim, não no sentido de Deus não saber onde eu estou, mas no sentido de eu me deixar encontrar. Eu preciso sair do meu esconderijo e aí Deus vai me encontrar. Eu preciso desamarrar meu coração. Eu preciso me desimpedir. Não falo de vícios, de comportamentos. Falo de alma. Eu tenho que me abrir, me disponibilizar.

Da mesma maneira, quem sou eu pra sair apontando dedo pras pessoas? Pra querer dizer como as pessoas vivem as vidas delas? A vida é delas! Elas que decidem o que acham que é melhor. Minha responsabilidade como cristão é ser imitador de Cristo. É viver segundo o que Jesus Cristo ensinou. Eu duvido que os crentes da igreja primitiva saíam em cruzadas evangelísticas. Duvido de coração. Eu acho mesmo é que eles viviam o evangelho deles, perseverando na doutrina e na comunhão, no partir do pão, nas orações. A Bíblia diz, em Atos 2:47: “e caíndo na graça de todo o povo”. As pessoas gostavam deles e isso era o testemunho deles. Quem vivia ao redor via o evangelho. Daí, o mesmo Atos 2:47 já diz o que acontece: “E o Senhor lhes acrescentava todos os dias os que iam sendo salvos”.

Eu ouvi esse fim de semana o testemunho que dizia da prostituta que ofereceu o primeiro pedaço de bolo de aniversário pra Jesus e pediu ao missionário junto dela comer o tal pedaço porque “ela viu Jesus nele”. É esse o cristianismo que eu quero. Eu já não acredito em bater na porta de estranhos e falar de uma ideia de Jesus e ir embora no fim do dia e esqucer aquelas pessoas. Eu não acredito em eventos de colheita, em show gospel. Eu acredito num evangelho que mostra Jesus no meu estilo de vida. E quem quiser, que venha junto.

Isso muda o mundo.

Querendo fazer carne moída com purê de batatas. Me falta: carne moída, batatas, leite e companhia. Supermercado tá em falta de companhia.

Dor no corpo, dor na alma
Dor no peito
Aperto
Eu nunca disse que era bravo
Eu nunca disse que podia
Eu só disse que ia tentar
Prometi esforço e me esforcei
Não deu certo
Como nunca dá
Dor no corpo, dor na alma
Tonteira
Náusea
Eu nunca disse que era capaz
Eu nunca disse que era possível
Eu só pedi paciência
Tentei e falhei
Paciência
Eu te disse que ia dar errado
Eu te disse que estava fadado
Mas você preferia tentar
Pra você não afeta em nada
Você é bem melhor em negar
Em usar disfarces
Eu tive minha chance
Mas nem por um instante
Nem por um mísero instante
Eu tive alguma chance
Ou alguma fé
De que daria certo
Não dá
De um jeito ou de outro
Fracasso é o fim que será.

É uma pena que eu não consiga me esconder nas palavras, como você faz. Minhas palavras são eu. Minhas palavras sou eu. E eu sou um livro aberto. Não são minhas, eu sou delas. Sou personagem de um livro que ninguém escreveu.

Da próxima vez
Vou ouvir você, cigana
Quando me diz
Que não há amor pra viver
Veja você
Leu minha mão e meu coração
Entrou na minha mente, cigana
Me disse que me ama
Agora eu já não posso esquecer
Ou deixar passar
Se há esperança, estou lá
Morrendo de dor e secura
Vive na minha mente, cigana
Dança e me leva à loucura
Já não sei mais o que fazer
Também por isso, faço nada
Deixo estar e deixo você ser
Rainha absoluta dos meus sentimentos
Tirana coroada de amor
Te tenho comigo a todo momento, cigana
Até o suspiro final

Bom dia, você
Sol da manhã
Levanta e desperta minha dor
De noite, o que eu vejo é tormento
De dia, eu sou fraco e sem cor
Pedindo pra anoitecer
Pedindo pra acabar
O vício que tenho no silêncio
Dizendo o que me dá vontade
E eu, aprendiz em contar o tempo
Me perco
Sol de um amarelo machucado
Te machuca minha dor?
Ou há mais corações pra se iluminar
Que não choram por essas bobagens?
Amor, verbo intransitivo.
Ladrão, invasor, insolente.
Amor, verbo intransigente.
Vem e passa e só deixa estragos
Como uma nuvem de gafanhotos
Mais uma colheita que não vou fazer

Vivo parado no ar.
Flutuante.
Estático, me movo no tempo.
Cinzento.
Me faltam razões pra acordar.
Em coma.
No mundo dos sonhos me encontro contigo.
Abrigo.
Qualquer dimensão onde não foi embora.
Ausência.
Me afasto do mundo em que a dor é constante.
Demente.
Alguma mentira que me mantenha dormente.
Carente.
As cores figuram fora do lugar.
Daltônico.
As cores refletem o tom do lugar.
Confuso.
O brilho fantástico da tristeza.
Dégradé.
Do preto ao branco. Escalas de cinza.
Monótono.
Uma pergunta que nunca me deixa.
Persiste.
A quem você quer se apegar?
Você.
E quem você quer apagar?
Eu.

cromatose
cro.ma.to.se
sf (crômato+ose) Med Pigmentação, especificamente, de áreas comumente não pigmentadas, ou pigmentação excessiva em um lugar normalmente pigmentado.

comatose
/ˈkəʊmətəʊs, -z/
▶adjective
of or in a state of coma.

A vida é andar em círculos.
Parado, à distância, vejo o mundo se mover.
Vivo numa dimensão paralela.
Eterna novela.
Sem público pra ver.
Persegue os fantasmas que te assombram.
Se agarra a dor.
Pede que continue a doer.
Luxo é saber pra onde vai.
A verdade está em saber de onde veio.
A vida vai te dar a cota de dor que você precisa pra viver
Então não procure nem um milímetro mais.
Poesia sempre foi sofrimento.
E quem não gosta de sofrer?
Vai mais fundo.
Como eu queria que a música tremesse o chão.
E que a fé movesse as montanhas.
Quem sabe assim, algo me comovia.
Quando a fé acabar, vai te restar a verdade.
Mas vai te faltar coragem de encarar.
Quando acaba a esperança, fica a vontade de voar.

Velas, fumaça e fogo.
Estou velando os corpos de quem não morreu.
Corja de mortos ambulantes.
Vergonha chamada amigo.
Abaixa a guarda e leva a facada.
Sempre assim.
Tudo que aprendeu ri de você do lixo.
Vêm e vão.
Inúteis.
Imprestáveis.
Se tudo fosse amanhã.
Ah, se tudo fosse amanhã.
Amanhã, quando vem o arrependimento.
E se o arrependimento viesse antes da dor.
Mas feliz é você não pensa nas consequências.
Feliz é quem não sente remorso.
Qualidade de vida é ser idiota.
“Você já cumpriu seu propósito.
Por favor, saia daqui.”
“E que belo pescoço você tem.”
E pensar que eu te avisei.
E saber que nem eu mesmo ouvi meu próprio conselho.
Os diamantes que eu te dei,
por favor, jogue fora.
Dor por dor, tenho companhias melhores.
Tristeza, angústia, revolta.
Mas o tempo não me será devolvido.