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Monthly Archives: outubro 2011

Da próxima vez
Vou ouvir você, cigana
Quando me diz
Que não há amor pra viver
Veja você
Leu minha mão e meu coração
Entrou na minha mente, cigana
Me disse que me ama
Agora eu já não posso esquecer
Ou deixar passar
Se há esperança, estou lá
Morrendo de dor e secura
Vive na minha mente, cigana
Dança e me leva à loucura
Já não sei mais o que fazer
Também por isso, faço nada
Deixo estar e deixo você ser
Rainha absoluta dos meus sentimentos
Tirana coroada de amor
Te tenho comigo a todo momento, cigana
Até o suspiro final

Bom dia, você
Sol da manhã
Levanta e desperta minha dor
De noite, o que eu vejo é tormento
De dia, eu sou fraco e sem cor
Pedindo pra anoitecer
Pedindo pra acabar
O vício que tenho no silêncio
Dizendo o que me dá vontade
E eu, aprendiz em contar o tempo
Me perco
Sol de um amarelo machucado
Te machuca minha dor?
Ou há mais corações pra se iluminar
Que não choram por essas bobagens?
Amor, verbo intransitivo.
Ladrão, invasor, insolente.
Amor, verbo intransigente.
Vem e passa e só deixa estragos
Como uma nuvem de gafanhotos
Mais uma colheita que não vou fazer

Vivo parado no ar.
Flutuante.
Estático, me movo no tempo.
Cinzento.
Me faltam razões pra acordar.
Em coma.
No mundo dos sonhos me encontro contigo.
Abrigo.
Qualquer dimensão onde não foi embora.
Ausência.
Me afasto do mundo em que a dor é constante.
Demente.
Alguma mentira que me mantenha dormente.
Carente.
As cores figuram fora do lugar.
Daltônico.
As cores refletem o tom do lugar.
Confuso.
O brilho fantástico da tristeza.
Dégradé.
Do preto ao branco. Escalas de cinza.
Monótono.
Uma pergunta que nunca me deixa.
Persiste.
A quem você quer se apegar?
Você.
E quem você quer apagar?
Eu.

cromatose
cro.ma.to.se
sf (crômato+ose) Med Pigmentação, especificamente, de áreas comumente não pigmentadas, ou pigmentação excessiva em um lugar normalmente pigmentado.

comatose
/ˈkəʊmətəʊs, -z/
▶adjective
of or in a state of coma.

A vida é andar em círculos.
Parado, à distância, vejo o mundo se mover.
Vivo numa dimensão paralela.
Eterna novela.
Sem público pra ver.
Persegue os fantasmas que te assombram.
Se agarra a dor.
Pede que continue a doer.
Luxo é saber pra onde vai.
A verdade está em saber de onde veio.
A vida vai te dar a cota de dor que você precisa pra viver
Então não procure nem um milímetro mais.
Poesia sempre foi sofrimento.
E quem não gosta de sofrer?
Vai mais fundo.
Como eu queria que a música tremesse o chão.
E que a fé movesse as montanhas.
Quem sabe assim, algo me comovia.
Quando a fé acabar, vai te restar a verdade.
Mas vai te faltar coragem de encarar.
Quando acaba a esperança, fica a vontade de voar.

Velas, fumaça e fogo.
Estou velando os corpos de quem não morreu.
Corja de mortos ambulantes.
Vergonha chamada amigo.
Abaixa a guarda e leva a facada.
Sempre assim.
Tudo que aprendeu ri de você do lixo.
Vêm e vão.
Inúteis.
Imprestáveis.
Se tudo fosse amanhã.
Ah, se tudo fosse amanhã.
Amanhã, quando vem o arrependimento.
E se o arrependimento viesse antes da dor.
Mas feliz é você não pensa nas consequências.
Feliz é quem não sente remorso.
Qualidade de vida é ser idiota.
“Você já cumpriu seu propósito.
Por favor, saia daqui.”
“E que belo pescoço você tem.”
E pensar que eu te avisei.
E saber que nem eu mesmo ouvi meu próprio conselho.
Os diamantes que eu te dei,
por favor, jogue fora.
Dor por dor, tenho companhias melhores.
Tristeza, angústia, revolta.
Mas o tempo não me será devolvido.

Me encontre lá no fim
No último lugar
Que você jamais ia procurar
Por alguém igual a mim

Se esconda bem atrás
Do último vagão
Esconda a paixão
Revele tudo mais

Todo dia é dia de vingança
Estranho é não vingar
Quando o espelho vê bonança

De dia, falta ar
À noite, esperança
Agir não é fácil como falar

Acorda, dormindo.
Não é capaz de levantar a cabeça.
Mania ou deficiência?
Sono atrasado.
Desconfortável.
Dias atrás, era feliz.
Meses atrás, anos atrás.
Não sabe mais.
Quinze anos ou quinze segundos.
Se olha no espelho.
Isso não sou eu.
Isso é a saudade.
A saudade nunca foi embora.
A saudade sou eu.
E a quem diz que tudo passa com o tempo,
Quem passou fui eu.
O tempo ficou ali, parado.
Vida, o eterno museu.
Volta e entorta o desvio que a vida me fez.
Volta antes que não haja volta.
Antes que tudo acabe de vez.

Hoje saí de nossa casa,
andei por nossas ruas,
falei com nossos vizinhos,
respirei o nosso ar.
Hoje fui ao nosso parque,
vi nossas flores,
sentei na nossa grama
e vi o nosso céu.
Hoje fui à nossa igreja,
peguei o nosso ônibus,
sentei no nosso banco,
olhei nosso trajeto.
Hoje sonhei nossos sonhos,
pensei em nossos filhos,
suspirei com nossos planos
e esperei por nosso dia.
Se lembra quando o mundo era nosso?
Quando tudo estava em nossas mãos?
Lembra quando a vida era nossa dança?
E o amor era nossa canção?
Hoje eu lembrei do nosso adeus,
e sofri nossa separação.
Hoje vieram-me à mente nossas palavras.
Hoje eu chorei a constatação.
Você que não é mais minha.
Eu que não sou mais de teu.
Não.