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Monthly Archives: abril 2010

Ela se levantou e se foi. Simples assim, calças, camisa e sapatos. Nenhum olhar pra trás ou despedida. Como o fim esperado de um ciclo desnecessário.
Ele ficou. Olhava para as paredes, criado-mudo, quadros, espelho. Tudo estava igual. Tudo havia mudado. O quarto tinha um tom sépia, que parecia contagiar a vida. Os lençóis sinalizavam a falta. Estava tudo acabado e ele não sabia que dia era. Quantos meses se passaram? Três? Impossível dizer. Parecia uma longa noite. Se sentia no crepúsculo de um dia nublado. Como após de uma tempestade de lágrimas. Ela o deixara como todas as outras, mas essa era especial. Tinha dado tudo o que tinha e não sabia exatamente o que tinha ficado por dentro. Cada movimento era feito em slow motion. O cheiro dela impregnava o lugar como uma risada maldosa. Piscava e via cabelos pretos e lábios vermelhos, como fantasmas que pareciam insistir em não partir. Ouvia pianos e violinos. Sinfonias de ausência em ré menor. A mente vazia, o corpo sem ação. Respirava algo menos reconfortante que o ar. Os dois tinham sido um há tão pouco tempo que se sentia pela metade.
Levantou. Caiu sentado de volta na cama. Passou os dedos pelo cabelo. Teria esquecido como andar? Não era possível. Respirou fundo e não achou muito ar. Levantou e teve mais sorte desta vez. Conseguiu se equilibrar aos trancos e barrancos. Um passo. Mais um passo e ganhou alguma segurança, como uma criança que aprende a andar. Mais alguns passos e saiu pela porta entreaberta sem olhar pra trás, como se veria lembranças ao invés do quarto vazio. Saiu como se fugisse da solidão.

Quis ser feliz, sofri.
Quis ser popular, fui isolado.
Quis ajudar todo mundo, não ajudei nem a mim.
Quis ser importante, fui esquecido.
Quis ser forte, enfraqueci.
Quis ser mau, não consegui.
Quis ser alternativo, me tornei comum.
Quis ser referência, virei mau exemplo.
Quis me encontrar, me perdi.
Quis ser bem sucedido, fali.
Quis me matar, vivi.
Quis me salvar, me perdi.
Quis nunca mais falar, não aguentei dois minutos de silêncio.
Quis ter o mundo nas mãos e o mundo pisou em mim.
Quis parar de sonhar, vi meus sonhos se realizando.
Quis parar de acreditar, conheci.
Quis me isolar, virei amigo de todo mundo.
Quis não ser visto, virei um farol.
Quis me esconder, fui achado.
Quis chorar, fui amado.
Quis terminar com tudo, recomecei.
Posso não ter tido nada do que quis na vida, mas sempre tive tudo o que sempre quis.

All glory to the one in existence. Bring upon your name, your grace, your every thing.

Now Playing: The Classic Crime – Different Now

Deus.

Assunto intrigante, não é? Ninguém sabe, ninguém viu. Todo mundo dá sua opinião.

Não vou dar uma opinião, vou contar minha experiência.

Eu era presente e ativo na igreja na época que todo esse papo de Avivamento começou, ou melhor, voltou. Estive lá quando todo mundo ia nos congressos do mover, da visão, tudo isso. Vi o movimento crescer e murchar e virar comércio. Vi e continuo vendo o povo correndo atrás e falando disso como se ainda estivesse vivo.

Essa foi só a introdução, não vou falar de sistemas falidos. O que eu pretendo com isso é que esses dias conversava com o Junior, grande amigo e guitarrista da querida Unlife e começamos a discutir como somos afetados por esses momentos de mover de Deus.

Pra quem não entender o linguajar, prometo um outro post explicando, mas hoje vou direto ao ponto.

Como eu disse, todo esse movimento morreu, pelo menos na minha opinião. Vai ter gente que vai protestar e jurar de pé junto que não. Vai dizer que eu estou errado, que eu sou um hipócrita, um fariseu. Talvez eu seja, sim, mas eu digo o que vejo. Eu vejo muita gente que necessita que esse movimento ainda esteja vivo, não pelo movimento em si, mas pelo evento. Eu tenho certeza que a morte do movimento foi muito evento e pouco compromisso. É fácil ir num lugar com 5 mil pessoas e gritar que nós somos a revolução, a mudança e que nada vai nos parar. Difícil mesmo é chegar em casa na segunda feira (os congressos eram sempre de fim de semana) e pôr tudo em prática, ignorando vergonha, orgulho e preguiça, só pra citar alguns.

A segunda metade da minha adolescência quase que completa eu passei buscando esse mover, crendo que eu tinha algum problema, que o cair, chorar, pular, quicar, queimar, etc. era o normal, era sinal de estar no caminho certo. Foram anos de um silêncio frustrante, ensurdecedor. O silêncio parecia apontar o meu fracasso.

Aí, um dia, eu desisti. Sabe o que e descobri? Era em vão. Quando eu entreguei pra Deus, Ele me mostrou que existia outro silêncio. Um silêncio sábio. Um silêncio revelador.

Conversando com o Junior, percebi muita semelhança no que pensamos. Ele me contou que tem uma dificuldade imensa em acreditar que tudo aquilo que a gente vê na igreja é divino. Eu concordo. É sincronizado demais. É padronizado demais. Parece que as exatas mesmas pessoas tem as exatas mesmas reações nas exatas mesmas situações. Pela experiência que eu tenho com Deus, parece muito limitado demais que tudo seja previsível.

Não duvido que Deus possa agir daquele jeito. Acredito que age, até. Mas percebi que as pessoas tendem às manifestações que já viram. Isso aleija o mover real do Espírito Santo. As pessoas tem deixado de apreciar o silêncio, porque é o barulho que os outros vêem. Parece que o lema é “Se ninguém vê, eu não ganho nada com isso”.

Deus é tão complexo, mas tão simples. Depois de um tempo percebi que ele só quer o que todo mundo quer (Ou, por ordem de chegada, nós só queremos o que Ele quer): Ter alguém por perto que quer ter Ele por perto. Aí vem nego dizer que se quisesse mesmo Ele não era tão exigente, que Ele se mostrava, etc. As pessoas podiam se colocar na posição de Deus, pra começar, né? Se você conseguisse ver as verdadeira intenções de todo mundo, você confiaria cegamente em qualquer um que diz que te ama? Vou responder, porque sei a resposta: NÃO! Ele quer, como todo mundo, que quem quer estar com Ele mesmo mostre isso. Dizer é fácil e a gente acha que é assim que se ama porque isso dá certo com a maioria das pessoas. Aí chega em Deus e essa picaretagem não dá certo e Deus é antipático. Típico.

Eu costumo dizer que as pessoas que eu amo eu quero estar junto mesmo que seja pra não falar nada. E realmente, pergunte pra minha namorada. Muito do tempo que a gente passa juntos, a gente está em silêncio, fazendo coisas que, às vezes, nem envolvem prestar atenção no outro. Seja vendo TV, comendo, cinema ou até mesmo dormindo. O que importa é a presença.

Deus nos oferece o silêncio dele que é exatamente isso. Um abraço. O conforto. Sem trilha sonora, sem estardalhaço. Penso que ele só quer isso mesmo. Ficar. Estar. Existir. Lado a lado. E aproveitar o sentimento.

Now Playing: The Classic Crime – Everything & Nothing

Bring your love.
Bring glory.
Bring your love.
Bring your glory.
At the feet of the Lord.
At the feet of the one who’s worthy.
This is what every eye cried and every soul longed for.
Love is regaining form.
This is the taking over.
Taking you up.
Taking you over.
Taking your heart.
This will take you over.
Like flood over flood.
Like a world without hurting.
This will raise like the highest wave.
Be glad to drown.
Breathless breathing.
I will gladly drown.
Sea of love make your way.
God of love make your way.
Let there be love, let there be healing.
Oh come! Oh come undertow!
Let there be it.
I’ll let you bring it.

Chega mais
Me diz que eu posso ser
quem vai tocar pra você
essa tuba azul

O que você mandar
Posso ser o que for
de malabarista a trovador
escravo por vontade

Me dá tua mão, que tal?
Aperto mãos como um profissional
Entendo tudo que não posso explicar

Abro um zoológico no meu quarto
Cada casal pro seu dilúvio
Se você decidir ficar